-Amor, você não acredita em mim, não é?
-Acredito.
-Não, nossa relação é cheia de erros, cheia de controvérsias, mas não traí.
-Não?
-Não.
-Verdade?
-Ah! Traí sim. Tenho espírito assim, não digo que seja bom, ou ruim, mas é assim. Não vejo mal nenhum em trair. É comum, normal acontecer. Senti vontade, beijei os melhore beijos possíveis. Senti um novo gosto. Tive meus olhos brilhando de novo. Tive as borboletas revirando meu estômago. Revivi antigas emoções. Senti abraços e carinhos saudosos. E tenho vontade de beijar de novo. E beijarei de novo. E de novo.
- Poorra!
-Eu sou normal: Carne, osso, dentes, pele, cheiro, instinto, sentimentos. Acho que se sinto vontade devo fazer. Se volto e sinto vontade de beijar, devo fazer também. E se não sentir vontade, pronto. Passou.
-Passou não, Anita. Não passou nada. – Lágrimas por dentre seu rosto -.
-Passou, pra mim é isso. “Vontade que dá, e passa.’’
-Se ponha no meu lugar!
-Ah, no seu lugar eu estaria esperneando. Te entupindo de bolachas, te gritando, te esmurrando.
-Então, devo te esmurrar?
-Óbvio que não. É totalmente diferente.
-Há, traição.
♫Luxúria, Isabela Taviani.






